Jato ou turboélice: que tipo de avião é mais seguro para voar?

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Aviões a jato são mais comuns hoje. Entretanto, outro tipo de motor também marca presença: os aviões com turboélice. Com suas pás remetendo a aeronaves de pequeno porte, muitas vezes chamadas de teco-teco, causam preocupação em alguns passageiros. A ideia é que seriam velhas demais em comparação aos jatos.

Será verdade? Para Miguel Angelo Rodeguero, piloto e diretor de segurança operacional da Aopa (Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves), o que define a escolha dos turboélices é a oferta de assentos de cada rota, ou seja, a quantidade de passageiros a serem transportados. “Hoje, por questões econômicas e de conforto, os turboélices operam rotas mais curtas e pistas menos preparadas para aviões de grande porte”, diz o comandante.

Para Rufino Antônio da Silva Ferreira, gerente de investigação da Azul e piloto de linha aérea, “os turboélices são um tipo de avião muito utilizado, com vários modelos sendo projetados ainda, já que são mais recomendados para diversos tipos de avião muito utilizado, com vários modelos sendo projetados ainda, já que são mais recomendados para diversos tipos de voo, como em pistas mais curtas ou onde a aproximação é mais complicada”.

Conseguem chegar a aeroportos regionais

Devido ao seu projeto, os turboélices em operação nas companhias aéreas brasileiras são ideais para atender à aviação regional. Os turboélices, por serem mais baixos, já contam com uma escada de embarque embutida em sua porta. Eles também têm facilidade em pousar em aeroportos menores, já que dispensam alguns equipamentos mais avançados de navegação. Assim, a infraestrutura aeroportuária pode ser menor para receber os turboélices, ampliando a malha das companhias aéreas para locais que os jatos não atenderiam.

Um levantamento feito pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) com dados de 2017 mostra que quatro companhias aéreas operavam modelos turboélice no Brasil, totalizando 55 unidades das 489 aeronaves comerciais no país. Todos esses modelos são da fabricante ítalo-francesa ATR (Avions de Transport Régional). Os usados aqui são o ATR-42 e o ATR-72, com capacidade para até 50 e 74 passageiros, respectivamente.

A Azul é a principal operadora das aeronaves da fabricante ATR no país, com 40 aviões deste modelo em 2017, último dado disponível.

Segurança é a mesma, e o consumo é menor

A motivação para utilizar um avião turboélice, segundo Ferreira, é a economia, já que ele oferece a mesma segurança que o avião a jato. “O que leva a escolher o turboélice ao invés do motor a jato é basicamente o consumo. Quando a etapa de voo é de curta duração, a diferença de tempo entre o turboélice e o avião a jato é muito pouca, e o consumo do combustível no turboélice é sensivelmente menor”, disse.

Em um voo de 225 km de distância, um ATR-72 consome 708 quilos de combustível em 61 minutos. O avião a jato E-195, da Embraer, gasta mais que o dobro, 1.490 quilos de combustível, em 38 minutos. Esses valores são hipotéticos, e não levam em consideração diversos fatores, como condições meteorológicas ou eventuais alterações nas rotas.

O jatos voam a cerca de 850 km/h, a 11 quilômetros de altitude. Os turboélices chegam a 550 km/h, a seis quilômetros de altitude.

Segundo Rodeguero, um inconveniente dos turboélices é justamente poderem balançar mais por voar mais baixo. “Os turboélices podem enfrentar as nuvens que se formam nesta região da atmosfera. Mas, se o tempo está bom, não há turbulência”, diz Rodeguero, afirmando que isso reflete apenas no conforto dos passageiros, e não na segurança da aeronave.

Os jatos voam acima dessas áreas mais nebulosas e fogem das turbulências mais frequências, embora também enfrentem o fenômeno.

Afinal, é velho?

Ferreira destaca que as tecnologias dos aviões turboélices não necessariamente são mais antigas. “Os aviônicos [equipamentos eletrônicos do avião] dos turboélices, por exemplo, podem ser os mesmos que os dos modelos a jato no que se refere à navegação. Os modelos ATR não deixam em nada a dever em comparação aos modelos a jato em termos de comunicação, navegação e sistemas de alerta”, afirmou.

Um exemplo é o caso do próprio ATR-72 600, que teve seu voo inaugural em 2009. Por sua vez, um dos modelos mais recentes do Boeing 737 que está em operação no Brasil realizou seu primeiro voo em 2006. As aeronaves são modernizadas ao longo do tempo e passam sempre por manutenção (fiscalizada pela Anac) para garantir a segurança.

Ferreira disse ainda que, “quanto à confiabilidade, os aviões turboélices passam pelos mesmos processos de certificação que os a jato”. “As características de cada motor, por exemplo, têm suas proteções para voar em condições como em gelo, por exemplo”.

Segurança não é problema, diz especialista

Rodeguero diz que não há com o que se preocupar em relação à segurança. “Ambos são seguros, tanto o avião a jato, quanto turboélice. Eles são diferentes apenas quanto à operação: o avião a jato precisa de uma pista maior para ser operado, enquanto o turboélice pode operar em pistas menores ou sem toda a infraestrutura de aeroportos maiores”, diz o piloto, que ainda lembra que os turboélices passam pelos mesmos processos de certificação que os aviões a jato.

As pás, mesmo não estando dentro de uma fuselagem fechada, como nos motores a jato, também são protegidas de forma eletrônica contra impactos ou intempéries.

Curiosidades:

  • A pá dos motores do ATR-72 tem quase quatro metros de diâmetro, mais do que o GE9X, o maior motor de avião comercial do mundo.
  • O diâmetro das pás do ATR-72 é maior que a própria fuselagem do avião. É maior até que a de um jato Boeing 737.
  • Os motores turboélices possuem uma tecnologia bem diferente daqueles aviões menores com hélices, tendo turbinas para movimentar suas pás, enquanto os outros são movidos a pistão, como em um carro.
  • Devido ao seu tamanho, os ATRs podem pousar e decolar em pistas mais curtas do que alguns modelos a jato.
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