Uma clínica que abrigava idosos foi interditada em Joanápolis, distrito de Anápolis (GO), após uma grave denúncia de maus-tratos. De acordo com a Polícia Civil de Goiás (PCGO), o local foi encontrado em condições precárias, com os internos vivendo em situação de abandono. Os responsáveis pela clínica, dois ex-dependentes químicos que haviam sido internos de outra instituição do mesmo proprietário, deixavam os idosos sozinhos para sair e consumir bebidas alcoólicas, muitas vezes não retornando.
A clínica funcionava em uma propriedade rural alugada havia três meses, mas o aluguel sequer havia sido pago. No momento da inspeção, os agentes encontraram o local sujo, com fezes, urina e comida estragada espalhadas pelo ambiente. Segundo a PCGO, os 11 idosos resgatados estavam em extrema vulnerabilidade, vestindo roupas inadequadas e apresentando sinais de possíveis doenças dermatológicas.
O caso veio à tona após uma interna de 70 anos conseguir contatar seus familiares e denunciar os maus-tratos. A família procurou as autoridades, o que levou à operação de resgate e interdição da clínica. A investigação apontou que os internos pagavam entre R$ 800 e R$ 1.500 por mês para permanecer no local, sem receber qualquer tipo de assistência adequada.
Não havia acompanhamento médico, psicológico ou de enfermagem, e os medicamentos eram manipulados por pessoas sem formação na área da saúde. A polícia também identificou o uso indiscriminado de medicamentos psiquiátricos, administrados sem critério. Além disso, foi constatado que os documentos e a aposentadoria dos idosos estavam sendo retidos pelos responsáveis pela clínica. Os idosos resgatados foram encaminhados para abrigos municipais, e alguns foram entregues a seus familiares.
O dono da clínica, que já possui histórico de crimes semelhantes, está foragido. Ele já havia sido preso em 2023 pelo mesmo tipo de infração, quando administrava uma clínica de dependentes químicos fechada por maus-tratos e internações compulsórias ilegais.
A investigação segue em andamento, e o proprietário da clínica responderá por crimes de maus-tratos, cárcere privado, apropriação de aposentadoria, retenção de documentação dos idosos e trabalho análogo à escravidão. Um outro funcionário, identificado como gerente financeiro da clínica, também foi indiciado.
Por CM7